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sábado, 22 de julho de 2017

A mudança tática contra o Vitória e a efetividade ofensiva

E mais uma vez o Grêmio nos surpreendeu. Sem Luan e Michel (e no aquecimento também sem Geromel) surgiram dúvidas de como o time jogaria. Maicon entraria como volante, no meio? Arthur seria o meia central? Fernandinho entraria na direita e Ramiro recuaria? 4 volantes, Jaílson poderia... Muitas opções tanto é que no pré jogo não coloque a provável escalação do time, pois seria um mero chute. Mas calma, temos Renato e ele acertou o time, de novo. Mantendo o modelo de toque de bola, Renato escalou Maicon e Fernandinho. Assim o time jogou num 4 3 3 na forma ofensiva e defensivamente num 4 1 4 1, ao qual falarei mais nesse post.

 Figura tática do Grêmio. 4 3 3 ofensivamente, com Fernandinho e Pedro Rocha Recompondo no 4 1 4 1.

SISTEMA DEFENSIVO
Defensivamente atuamos no 4 1 4 1 da seguinte forma. Deixamos Maicon na frente da zaga, sendo a figura do "1" defensivo. Arhur e Ramiro ficavam mais centralizados e Pedro Rocha e Fernandinho faziam a recomposição, assim ficando com uma linha de 4 no meio campo, sobrando Barrios na frente como o outro "1" do esquema tático. Essa movimentação é diferente do estamos acostumados a ver, onde fazemos duas linhas de 4 (Pedro Rocha -Michel-Arthur-Ramiro), onde Luan e Barrios se movimentam na frente deles.

 Linha defensiva pela esquerda.

 O 4 1 4 1 defensivo, alterando a postura tática do Grêmio.

A linha defensiva pela direita, com a recomposição de Fernandinho.

SISTEMA OFENSIVO E A EFETIVIDADE NAS CONCLUSÕES
Segundo palavras da @DaniGremio quando atacávamos sentíamos falta do nosso craque Luan. "Contra o Vitória sobrou a postura agressiva que senti falta no primeiro tempo contra a Ponte Preta, mas faltou casa-lá com a classe. Talvez pela falta do nosso craque que inicia, cadência, cria e termina as jogadas." Mesmo assim Renato encontrou uma maneira de substituir Luan, onde Ramiro e Arthur ficaram centralizados, dividindo a função de organizadores, o que achei ótimo, pois quando Arthur foi colocado na função de Luan, não rendeu muito bem. Com os dois centralizados Renato abriu mais Pedro Rocha e Fernandinho pelas pontas, dando assim mais amplitude e profundidade ao time, para que tivéssemos mais espaços para criar jogadas, levando os laterais do Vitória para a linha de fundo. Com isso Arthur, Ramiro e Maicon tinham mais espaço para criação no meio campo, através do toque de bola rápido. Significa que essa superioridade numérica, tanto defensiva quanto ofensiva, como falamos "ganhamos o meio campo", pois defendíamos com segurança e atacávamos com velocidade e vários jogadores.
 Imagem do Data ESPN, da organização ofensiva sem Luan. Excelente análise do Gustavo Hofman.

Posicionamento medio dos jogadores do Grêmio contra o Vitória. Maior concentração no meio campo.

Mais um ponto a enaltecer ofensivamente é nossa capacidade de finalização. Contra o Vitória foram 7 chutes, sendo que 5 em gol e 3 gols, o que mostra a precisão do time, que se comparamos com o Vitória teve 16 chutes, mas somente dois em gol.  No campeonato temos a melhor finalização do Brasil, onde precisamos de 5,9 tentativas para fazer o gol. Não somos o time que mais tentamos (176 tentativas, somos o 12), porém somos o que temos mais tentativas em gol (91, em primeiro junto com Chapecoense e Flamengo, os times que mais tentativas tem). Esses números se devem, pois finalizamos quando realmente temos a melhor chance, e invariavelmente de dentro da área. No jogo contra o Vitória, por exemplo, tivemos 3 finalizações da grande área, 3 na linha da meia lua e apenas uma mais distante.

 Locais das finalizações contra o Vitória. Altíssimo aproveitamento!

Em azul as finalizações do Grêmio e em laranja do Vitória. 

Números do Footstats Premium mostram que temos a melhor finalização do Brasil.


OS DESTAQUES DO TIME
Fernandinho e Ramiro foram muito bem. Não só pelos seus gols, além de uma assistência de Fernandinho, mas como combinaram bem as jogadas pela direita. Conseguiram formar uma parceria que dificultou muito a defesa do Vitória, devido a movimentação de ambos, seja com Fernandinho mais aberto e cortando para o meio, seja com Ramiro sempre aparecendo para tabelar. Podemos ver essa intensidade de ambos no mapa de passes do time. Primeiramente o mapa completo (passes do Grêmio em azul), e segundo só os passes entre ambos, que predominaram no jogo.

 Passes totais no jogo
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Passes de Ramiro (76) e Fernandinho (46) ao longo do jogo. Destaque também para Maicon (63) e Arthur (72), comprovando como dominamos o meio campo.

Após o jogo Ramiro foi destaque do Footstats, mostrando a incrível fase que vive (desde o ano passado, diga-se de passagem). Ramiro jogando em diversas posições tem sido fundamental para equipe. Seja aberto pela direita, seja como segundo volante ou como armador como no último jogo. Que orgulho em ter o melhor anão e motor de um time do campeonato Brasileiro! 

Números do Footstats.

MULHER ENTENDE MUITO DE FUTEBOL!
Finalizando a análise, deixo para vocês o breve comentário da @DaniGremio que mora na Bahia e sempre acompanha com nosso tricolor. Ela como várias outras seguidores fizeram a analise do jogo comigo na tweet line durante e pós jogo, não citarei o nome de todas para não ser injusto com alguém, mas foram mais de 40 que comentaram, curtiram ou retweetaram as informações, para mostrar para uns e outros que mulher entende muito de futebol!
"O Grêmio mostrou força de Renato e do coletivo. Os caras correm um pelo outro, é algo apaixonante! O Ramiro é sensacional." @DaniGremio


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terça-feira, 18 de julho de 2017

Pontas, extremas, wingers, atacantes de velocidade, etc... Análise do jogo contra a Ponte Preta

Não importa o nome que se dá mas sim como estão jogando e como Pedro Rocha, Fernandinho e Everton são importantes para o esquema tático do Grêmio. Seja iniciando o jogo, entrando no intervalo ou nos minutos finais, estes três jogadores fazem parte de importantes mudanças do esquema do jogo do tricolor.

Everton, Pedro Rocha e Fernandinho são fundamentais no Grêmio hoje

O TITULAR ABSOLUTO:
Falaremos primeiro daquele que é titular absoluto da equipe, o herói da Copa do Brasil, o filho do seu Jessé que anota todos os gols do filho no seu caderno, o mito Pedro Rocha. Exageros a parte, o #PR32 é titular absoluto e peça fundamental do esquema de Renato. Ele que abre o jogo, que faz com que a esquerda seja forte, através de triangulações com o lateral (Cortez ou Marcelo Oliveira), com Barrios (que se entrosou muito bem) e Luan. Por falar em Luan, seu futebol cresce quando Pedro Rocha está em campo, pois o time ganha amplitude, os adversários abrem espaços, pois Pedro Rocha puxa a marcação, dando a liberdade para Luan atuar. Com isso conseguimos maior movimentação e o time ganha agilidade na troca de passes. Um exemplo muito bom são dos jogos contra o Avaí e Ponte Preta. Primeiramente, são dois jogos parecidos, onde os adversários se retrancaram. O Avaí com um linha de 4 e outra de 5, e a Ponte ao contrário. Contra o Avaí Fernandinho iniciou o jogo, e podemos ver como o time ficou embolado, não abrindo espaços. Já contra a Ponte, onde o Pedro Rocha atuou vejam como o time fica mais aberto (a amplitude como falei ali em cima). Além disso o time fica mais equilibrado, dando opções de jogo.

 Jogo contra o Avaí, Fernandinho jogando e o time inclinado para a direita.


Já contra a Ponte, time muito mais equilibrado, com maiores opções de jogo.

A importância de Pedro Rocha pode ser observada pelos seus números. São 11 assistências no ano, ao lado de Luan, o melhor do time. Além disso é um dos jogadores que mais dribla, também acompanhado de Luan e Fernandinho. E isso é um fator essencial para jogos contra times fechados (que encontraremos muitos até o fim do ano). A vitória pessoal será um fator essencial para que possamos ter mais opções de jogo, e isso Pedro Rocha vem fazendo muito bem. No jogo contra a Ponte ele se destacou nesse sentido, com 4 dribles, todos pela ponta esquerda. Com certeza gostaria que ele fizesse mais gols, e se fizesse já estaria fortemente sendo cogitado para jogar na Europa. Mas não são pelos gols que Pedro Rocha será vendido, e sim pela obediência tática que tem, seja no ataque como já expliquei, seja na recomposição (ou o crescimento do Marcelo Oliveira no ano passado, e a controversa contratação de Cortez, que hoje é titular, passam por quem?)

Em laranja, os dribles do Grêmio contra a Ponte.

O 12 JOGADOR
Já são 12 participações nos 14 jogos do Grêmio nesse Brasileirão. Fernandinho, mais do que "bruxo" do Renato se tornou um jogador que pode mudar o jogo. Nesse último contra Ponte, quando entrou no intervalo, ficou nítido a melhora do time. Porém aqui dois pontos: Fernandinho tem melhor rendimento quando entra no decorrer da partida, pois cria o fato novo, e usa e abusa da sua velocidade, dribles e chutes para desestabilizar a defesa adversária. Outro ponto é que deve entrar pela direita. A característica principal do "Robben Negro" é pegar bola pela direita, fazer o facão e chutar com a esquerda.




Comparativo do 1t e 2t do jogo contra Ponte. No 1t atuamos 28% pela meia esquerda e somente 15% pela direita. A partir da entrada do Fernandinho tivemos equilíbrio, com 16% pela esquerda e 22% pela direita. O time abriu o jogo, conseguimos mais espaços para fazer os gols. Bela mudança de Renato. 

Mapa de passes "para frente" do Grêmio em laranja. Trabalhamos muito na frente da área, onde Luan se movimenta, trabalhando muito com Pedro Rocha e Ramiro/Fernandinho.

A NOVO CENTROAVANTE
Bela contratação do Grêmio esse ano, um grande centroavante, o fazedor de gols! Não estou falando de Barrios, e sim de Everton. Mais uma vez Renato conseguiu aproveitar ao máximo de um jogador. Conseguiu observar algumas características e como aproveitá-la. Assim Renato está fazendo com Everton, colocando como centroavante. E Everton tem aproveitado muito bem essas oportunidades. É o artilheiro do time com 5 gols, tema melhor média de gols por minuto no campeonato (83 minutos para fazer um gol)! 

 São 16 finalizações no campeonato, sendo 12 certas, sendo que destas 5 gols. Média espetacular!

Everton e Renato sabem da dificuldade para realizar a recomposição. É algo que deverá ser desenvolvido ao longo do tempo... ou não, pois Everton se mostra muito inteligente e eficaz na frente da área. Aproveita a sua velocidade para realizar gols no contra ataque ou então vindo de trás, rompendo as linhas defensivas adversárias. Quem sabe de um jogador pelos lados encontramos um novo centroavante?

 Os números comprovam a grande eficiência do Everton.

Gostou? Então comenta aí, ou vai lá no meu Twitter @mwgremio para falarmos mais do nosso Grêmio!


sábado, 15 de julho de 2017

Os números são importantes, mas não são tudo! Análise dos jogo contra Avaí e Flamengo

Dois jogos, duas formas de jogar, duas atuações diferentes, dois resultados distintos. Os números mostram claramente as diferenças. Analisando os números saberemos claramente qual jogo vencemos... OU NÃO!
Vejamos, contra o Avaí 66,7% de posse, 656 passes sendo 92% certos e 19 finalizações, sendo 11 em gol. Já contra o Flamengo tivemos 44,4 de posse de bola, 347 passes sendo 87% certos, e apenas 4 finalizações, sendo 3 em gol. Vendo isso os analistas dos números e de dados já sabem o resultado. Por essas e outras que as análises são feitas OLHANDO O JOGO. Os números, estatísticas, mapas de calor nos mostram bastante coisa, mas de nada adianta se não olhar criticamente o jogo. 

 Se somente analisarmos os gráficos de intensidade, pensaremos que ganhamos contra o Avaí e perdemos do Flamengo.

 Jogamos contra o Avaí e Flamengo com os mesmo times, sem Grohe e Pedro Rocha. Porém jogos diferentes e antagônicos. Enquanto no primeiro tivemos que propor o jogo, utilizando o que sabemos fazer que é propor o jogo, no segundo tivemos uma postura diferente, até mesmo porque os adversários nos enfrentaram de maneira diferente. Sempre bom lembrar que do outro lado também há um time que estuda o Grêmio, que sabe os pontos fortes e fracos, que adota estratégia para nos derrotas. Enquanto o Avaí atuou com duas linhas de 4 bem organizadas, por vezes até com 5 no meio como na imagem abaixo, o Flamengo propôs o jogo, jogando mais pelas laterais.

Avaí com uma linha de 4 defensivamente, uma linha de 5 no meio, com Joel a frente.

No jogo contra o Avaí, mantemos o modelo de jogo de troca de passes, pressionamos, chutamos, erramos pênalti, e o goleiro Douglas do Avaí foi o melhor jogador de uma única rodada do Brasileirão deste ano, e um dos melhores dos tempos (detalhe, no outro jogo contra o Coritiba ele tomou 4 gols, sendo duas bateu roupa). Sinceramente, contra o Avaí não achei um mau jogo, e sim um jogo atípico. Já contra ao Flamengo, tivemos a MATURIDADE de recuar, jogarmos fechados e aproveitarmos os espaços. Típico jogo do Corinthians, ou o que o Avaí fez contra nós. Isso com os mesmos jogadores. Por isso a vitória contra o Flamengo foi importantíssima para vermos a compactação defensiva.

 Um adendo ao post. Duas imagens do Corinthians contra o Palmeiras no meio da semana. Compactação, jogadores espelhados.

Na segunda imagem (da mesma jogada) o Palmeiras avança com Dudu, e o time cria uma linha de seis jogadores.

Essa organização defensiva do Grêmio mostra a importância dos nossos extremas, com Ramiro na direita, e Pedro Rocha na esquerda (nos dois jogos com Fernandinho). Eles são importantes para dar tanto amplitude (jogo aberto pelas laterais) e profundidade para chegar a linha de fundo. Eles também são vértices dos triângulos, seja defensivamente seja ofensivamente. Na direita Ramiro recompõe mais, e na esquerda tanto Pedro Rocha, quanto Fernandinho abrem mais o jogo, atraindo a marcação e abrindo espaço para especialmente Luan se movimentar. Infelizmente contra o Avaí, Fernandinho centralizou muito as jogadas, fazia o facão em excesso, embolando o jogo e assim facilitando contra o Avaí. Já contra o Flamengo, Fernandinho abriu mais o jogo, sendo a principal jogada ofensiva.

 Posicionamento médio contra o Avaí, jogo no campo do adversário com maior centralização de Fernandinho, causando assim em alguns momentos facilidade na marcação do Avaí.

Posicionamento médio contra o Flamengo. Time mais compactado, no meio defensivo. Fernandinho abrindo o jogo.

Percentual de movimentos ofensivos do Grêmio pela esquerda.

Para essa movimentação acontecer, dependemos essencialmente de dois jogadores: Arthur e Luan. Mesmo em um jogo com menos movimentação e troca de passes eles são fundamentais para o movimento do time. Eles se movimentam por todo campo, são os pontos de apoio dos demais jogadores. São eles que começam as jogadas, que fazem os passes de ruptura, que participam das maiores triangulações. Nas figuras abaixo os mapas de passe e movimentação de Arthur e Luan mostram essa grande movimentação. No jogo contra o Flamengo vale destacar a movimentação também de Ramiro, e a postura defensiva de Cortez, Edilson e Michel. 




Depois de mais um gol decisivo, nada melhor do que homenagear o MELHOR JOGADOR EM ATIVIDADE NO BRASIL, LUAN! 

Comenta aí e me segue no twitter @mwgremio, onde cheguei aos mais de 3.500 seguidores e em agradecimento estarei sorteando o livro "Os Números do Jogo".

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A força defensiva tricolor - Análise do jogo contra Godoy Cruz

Muito falamos, e com justiça, de como o Grêmio é envolvente do meio para frente, com toques rápidos, troca e posse de bola, triangulações, jogo entre linhas, etc. Mas e a nossa defesa? Sim, temos dois monstros no miolo de zaga, que já podemos comparar com outras duplas históricas do Grêmio como De Leon e Baideck, Adilson e Rivarola, entre outros. Mas e coletivamente, como atuamos defensivamente? 
No jogo contra o Godoy Cruz tivemos um pouco dessa prova. Apesar de achar o time argentino fraco, as condições do jogo (chuva, campo embarrado, violência e catimba do adversário) equilibraram o jogo, e após definirmos o jogo com 44segundos de jogo (gol mais rápido da história dos mata-matas da e dessa edição da Libertadores), fizeram com que o Godoy Cruz tentasse nos encurralar, em espacial no segundo tempo, onde conseguiu ter mais posse de bola. E para analisar nosso sistema defensivo, temos que entender como o adversário jogou. E quem viu o jogo sabe que o jogo foi inclinado pela esquerda. Destaque para Garro, Gimenez (o melhor deles) e o centroavante Morro Garcia para fazer a parede.

                                                     
Godoy Cruz e seu mapa de calor, mostrando como o time joga somente pela esquerda.

                 
 Triangulações, construções e desenvolvimento do jogo pelo lado esquerdo, com os principais jogadores jogando pela aquele lado. Vejam como é "pobre" a atuação de Gonzalez e Abecasis pela direita.

Para combatermos essa lateralidade, obviamente tivemos que fechar mais esse lado. Como sabemos, ali atuam Geromel, Edilson, Ramiro e Arthur. Os três tiverem que atuar mais defensivamente, em especial Arthur, que no seu posicionamento médio teve que ficar mais recuado que Michel, que normalmente fica mais. E aqui eu vejo um ponto de correção do Grêmio. Quando Michel está mais recuado, Arthur é o jogador responsável pela segunda bola. Vi em alguns momentos nesse último jogo que perdíamos essa jogada, por vezes por Michel naturalmente também recuar, por outras vezes pela alta quantidade de jogadores do Godoy Cruz pela esquerda e a falta de recomposição por esse lado. Nada de se alarmar, mas é um ponto que observei.

Arthur mais recuado que Michel, Ramiro mais próximo e recuado do que Pedro Rocha.

Marcamos com duas linhas de 4, onde Luan e Barrios fazem a pressão da saída de bola. Por vezes Luan também recua fazendo uma linha de 5 pelo meio e Pedro Rocha (esquerda) e Ramiro (direita) recompõe para auxiliar laterais. Na minha opinião essa recomposição é o principal movimento tático do time. São dois jogadores que fazem o chamado "box-to-box" ou se preferirem vão de uma área a outra. A partir desse movimento, marcamos de uma forma compacta, onde preenchemos todos os espaços defensivamente, fruto de muito treino, organização e obediência tática. Através disso, quem possui a bola por parte do adversário, sempre se sentirá pressionado.


 Imagens que demonstram a obediência defensiva do Grêmio, retiradas do twitter @taticamentefalando


Consequencia disso mostramos como apesar de termos um jogo totalmente pressionado pelo lado direito, nos saímos muito bem. Destaque para a atuação de Edilson e Ramiro, que podemos ver pela troca de passes que foram os que mais executaram. Ambos trocaram 22 passes entre um e outro, maior número da equipe, junto com Luan, que sempre é o jogador que troca mais passes. Aqui novamente falo que Luan é um jogador muito inteligente. É o desafogo do time independentemente do lado do campo.

Interação de passes do Grêmio contra Godoy Cruz.

 Mas gostaria de ressaltar um pouco do Geromel. Não que seja preciso, mas nas redes sociais fiz uma pesquisa do melhor em campo e fui questionado porque coloquei Geromel e não Kannemann (que também foi ótimo). Mas no momento do jogo vi Geromel mais participativo, melhor posicionado, mais seguro. O próprio lado do jogo que falamos acima favoreceu isso. Recorri aos números que mostram que Geromel teve o maior número de rebatidas do time, um absurdo. Quanto aos desarmes, me surpreendi positivamente com nossos laterais, onde Cortez foi bem defensivamente, assim como já falado do Edilson.

Geromito. Sem mais.

Nossos laterais muito bem defensivamente.

Claro que todos torcedores tem esse reconhecimento do Geromel. Mais e quando um jogador capitão da base, que já está no grupo de transição mostra esse respeito ao Geromel e o que tem como referência? Acho que estamos no caminho certo. Sorte ao Lucas Rex em sua carreira tomara que nos dê várias alegrias, e forme mais uma dupla de zaga histórica.


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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Vitória com amplitude. Uma comparação entre jogos contra Corinthians e CAP

Após afastado pelo DM, volto para falar do jogo da Copa do Brasil contra o Atlético Paranaense. Mas antes, algumas palavras do jogo contra o Corinthians, que ajudará a entender a diferença do jogo da última quarta. Como o jogo contra o Corinthians são águas passadas, não me detalharei os números nem análises do Grêmio (que ao meu ver jogou bem, tendo a falha do Grohe e a grande atuação do Cássio como os pontos de desequilíbrio), mas queria enaltecer o jogo do adversário e como conseguiram bloquear o segundo melhor ataque do Brasil em número de gols (o Fluminense é o primeiro). 

O Corinthians joga muito COMPACTADO, com um sistema defensivo excelente, devido a um grande trabalho do Carrile (assim como não gosto de ouvir que o time do Grêmio é o time do Roger, também não vejo como o Corinthians do Tite). Apesar de criarmos oportunidades de gol e termos o controle de posse e um bom toque de bola, foi o jogo que menos conseguimos finalizar e chegar na pequena área. Isso se deve  quatro pontos do Corinthians, que aqui aproveito o vídeo postado pelo Leo Miranda para explicar essa compactação e nossa falta de agressividade.

1 - A primeira linha do Corinthians faz marcação por zona e para isso é muito bem organizada:

2 - Em um movimento bem organizado, o time todo se concentra na região da bola. Por isso que pensamos "como não temos espaço" ou "como o Luan está lento e não consegue fazer nada". Será que não precisamos rever conceitos e pensar que do outro lado temos um adversário que nos estuda, tanto quanto nós:

3 - Algo que acontece muito no Grêmio, em especial na parte ofensiva, todos participam do jogo sem a bola. Isso chama-se OCUPAÇÃO DE ESPAÇO e LEITURA DE JOGO:

4 - Com essa ocupação de espaço focada no meio campo, em especial no cérebro do time, Luan, o Corinthians fazia com que a zona criativa fosse para a lateral. Assim como o Grêmio, eles utilizam os pontas, que recuam até o fim para ajudar na marcação. Seria o Pedro Rocha, o Romero do Corinthians? Tão contestado, mas muito inteligente e útil taticamente:

Já contra o Atlético Paranaense a história foi completamente diferente. O Grêmio continuou jogando muito bem, só que dessa vez contra um adversário mais desorganizado e frágil. O espaço entre as linhas do CAP eram enormes, o que favorece nosso modelo de jogo, de controle de jogo através da troca de passes (foram 640, um recorde no ano, com 91% de acertos). Tivemos 59% de posse, quando nossa média é de 53%. Claro que a expulsão de Nikão no segundo tempo também contribui para isso, mas mesmo sem a expulsão já estávamos com números incríveis.

Gráfico mostra o controle do jogo do Grêmio. Quanto mais alta a barra, mais próximo da área adversário estamos.

Para esse controle de jogo o Grêmio trabalhou muito com AMPLITUDE, ou seja, jogou pelos lados do campo, abrindo o campo de ação. Isso faz com que as linhas adversárias se abram, gerando mais espaço entre elas. Com isso, podemos realizar uma troca de passes maior, realizar inversão de jogo e facilitar os passes em diagonal, para assim quebrar as linhas do adversário. Comparado com os últimos jogos, Pedro Rocha e Ramiro ficaram mais abertos, sendo que o Atlético se preocupou muito com a marcação central de Barrios e Luan principalmente, abrindo espaço para os demais jogarem

Posicionamento médio do Grêmio contra o Atlético PR. Gráfico do Instat disponibilizado no Twitter do Gustavo Fogaça.

Engana-se quem pensa que com essa amplitude o Grêmio jogou da mesma forma em ambos os lados. Podemos ver uma diferença na direita e na esquerda, onde temos:
DIREITA - Edilson como um jogador que trabalha muito com Ramiro e Arthur, e que aprofunda pela lateral as jogadas, buscando a linha de fundo com maior agressividade.
ESQUERDA - Pedro Rocha trabalhando muito com Luan e Barrios, fazendo o "facão", partindo da esquerda para o centro e entrando na área.
Esses dois movimentos ajudam a confundir a marcação, pois são formas diferentes de fazê-la e de se organizar, diferentemente do Corinthians, que tem esse sistema muito bem organizado o que nos dificultou o jogo.

Mapa de calor indicando diferentes posicionamentos dos lados do campo.

Com estes dados, nada melhor que um exemplo prático, que foi o segundo gol, conforme o vídeo baixo, onde temos:
44 segundos
17 toques
14 passes
2 invertidas
2 recuperações de bola
8 jogadores envolvidos
1 golaço
video
Vídeo do segundo gol, se não conseguir baixar, acessa meu Twitter ;)

Com este controle de jogo, o resultado não poderia ser diferente de uma goleada e um número de chances criadas, que detalho abaixo:
15 CHANCES DE DENTRO DA ÁREA
6 CHUTES DE FORA DA ÁREA
1 CHUTE NA TRAVE
2 DEFESAS

Local das finalizações.


Distância e de onde saíram as finalizações.

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