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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Prévia de Decisão - As opções táticas de Grêmio e Botafogo

Pois chegamos à decisão do semifinalista da Copa Libertadores da América. Grêmio e Botafogo, que ao meu ver junto com Corinthians e Santos, jogam o melhor futebol do Brasil neste ano disputam essa vaga. E nesse jogo veremos novamente dois estilos diferentes de MODELO DE JOGO. Enquanto o Grêmio tem por princípio a posse de bola, a troca de de passes com qualidade, a movimentação, até encontrar o melhor espaço, o Botafogo costuma jogar no sentindo oposto, sem a posse da bola, buscando as saídas em contra ataque com velocidade, sendo um time reativo. Os números deste ano apresentados pelo Footstats na imagem abaixo comprovam isso. O Grêmio com seus principais números no ataque, através de posse de bola, passes e quantidade e qualidade de finalizações, que espero que se repitam amanhã, pois sabemos da deficiência nos últimos jogos. Já o Botafogo com o foco na defesa, com muitos desarmes e lançamentos para buscar o contra ataque em velocidade.  Talvez devido as circunstâncias de jogo podemos ter alguma surpresa no estilo de jogo, mas eu não acredito.


Vejo que na partida de volta ambos times tem duas opções cada para iniciar a partida. O Grêmio com a indecisão sobre Luan e o Botafogo com a dúvida entre Matheus Fernandes e Leo Valencia. 

Caso Luan jogue, o Grêmio manterá seu padrão desde o ano passado, com a formação de 4231, onde Michel e Arthur são os volantes, Ramiro na direita, Luan centralizado e Fernandinho na esquerda substituído Pedro Rocha. Sei que pela esquerda não é o melhor posicionamento de Fernandinho, mas hoje vejo como a primeira opção de Renato.

Posicionamento padrão do Grêmio com Luan.

Mas caso Luan não jogue, e Leo Moura que foi seu substituto nas últimas partidas (não no posicionamento, pois vimos Ramiro atuar pelo meio e Leo Moura pela direita), acho que Renato alterá um pouco o esquema. Acredito que Michel fique centralizado, sendo posicionado na frente da zaga. Em uma linha um pouco a frente, Arthur pela esquerda e Ramiro pela direita ficaria como meias centrais, com funções de armação, e abertos com Fernandinho (agora sim na direita) e Everton (ou pequena probabilidade de Arroyo na esquerda). Esse posicionamento não sobrecarrega um meia central, o que o Grêmio não tem para substituir Luan, e faz com que Arthur possa avançar mais, com dois pontas como opção de velocidade. Isso não será novidade para o Grêmio, que já jogou assim algumas vezes quando Maicon entrava na equipe.

Time do Grêmio sem Luan e sem Leo Moura.

Já o Botafogo jogará sem desfalques. A grande dúvida está entre a manutenção do jovem volante Matheus Fernandes, principal roubador de bola do Botafogo, ou então a manutenção de Leo Valencia como meia. Acredito que Jair Ventura escale Matheus Fernandes, pois assim manterá o time que mais atuou na temporada e que teve os melhores resultados. Em linhas gerais o Botafogo defende em duas linhas de 4. Eventualmente quando joga João Paulo joga no 4 1 4 1, com Matheus Fernandes sendo o volante que fica e Pimpão recuando pela esquerda, Bruno Silva na direita, com Lindos e João Paulo centralizados. No ataque, Pimpão abre pela esquerda, se aproximando de Roger e Bruno Silva pisa na grande área pela direita. João Paulo e Lindoso ficam mais. 

Formação considerada titular do Botafogo.

Já com Leo Valencia, as características não mudam muito. O que muda é o posicionamento dos jogadores, onde Bruno Silva joga em linha com Lindoso como dupla de volantes, mas Bruno sempre saindo mais. Mais a frente terá João Paulo na esquerda e Leo Valencia pela direita avançando mais, mas ambos recompõe na linha de quatro defensores do meio. Com essa formação, o Botafogo perde o poder de marcação e ganha em velocidade.

Esquema do Botafogo com Leo Valencia.

Agora é aguardar e ver como será esse grande jogo, que comentarei por aqui!
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Agradecimento especial ao botafoguense Bernardo Lima (@carlosbernardoL) que me ajudou na análise do Botafogo.


sábado, 16 de setembro de 2017

Desfalques em jogo de Libertadores - Análise de Botafogo 0 x 0 Grêmio

Jogo de Libertadores e a tensão pré-jogo não poderia ser diferente, ainda mais na dúvida se jogaríamos com dois dos nossos principais jogadores, e sem Michel que estava suspenso. Para a vaga de Geromel não haviam dúvidas que Bressan seria o substituto. Mas para a vaga de Luan, várias opções foram pensadas e discutidas: mantem a mesma equipe que jogou mal contra o Vasco? Entraria Arroyo? Jogaríamos com três volantes? E sem Michel, a dúvida era se entrava Jaílson ou recuava Ramiro. Pois Renato manteve a estrutura do time. Colocou Jaílson no lugar de Michel, ou seja, posicionado mais a frente da zaga, assim mantendo Arthur no seu posicionamento habitual. No lugar de Luan manteve Leo Moura como substituto, mas só no nome, pois se falarmos em posicionamento ele inverteu com Ramiro. Leo Moura ficou pela direita, dando apoio para Edilson, e Ramiro ficou centralizado. E essa mudança foi de fundamental importância para que o Grêmio tivesse o controle do jogo. Com certeza Leo Moura e Ramiro não fizeram o que Luan faz, e foram criticados por parte da torcida, pois eles não criaram jogadas. Concordo plenamente, mas observando mais a fundo, e isso que quero mostrar, os dois tiveram um papel importante. 
                                                                 

Na imagem acima Leo Moura pela direita na parceria com Edilson.
Abaixo, Ramiro se movimentando pela área central.

O Botafogo possui um modelo de jogo diferente do Grêmio. Enquanto o Grêmio quer a posse da bola, o time carioca quer dar a bola para o adversário, sendo um um time que gosta de jogar no contra-ataque, ou reativo se preferirem. Para isso o time da "estrela solitária" mantém 5 jogadores no meio campo, onde todos marcam, para que assim que recuperarem a bola saiam em contra-ataque, em especial pela esquerda, com Victor Luis (estava suspenso, por isso jogou Gilson) e Rodrigo Pimpão. Estes buscam jogadas em velocidade para encontrar Bruno Rodrigo e Roger na área. Com essa mudança do posicionamento de Leo Moura e Ramiro, Renato marcou a principal arma do Botafogo. Leo Moura jogou muito próximo de Edilson, que por sua vez jogou muito melhor, pois se preocupou em marcar, deixando para Leo Moura fazer a transição ofensiva. Já Ramiro tinha um poder de marcação mais intenso junto a saída de bola dos zagueiros e volantes. Os três melhoraram com essa mudança, com posições mais definidas e assim com mais intensidade. Edilson mais atrás, Leo Moura fazendo a transição e atacando pela direita, e Ramiro focado na saída de bola pelo meio. Isso se reflete no número de chances do Botafogo (4), onde NENHUMA foi a gol!

Mapa de calor de Gilson e Pimpão, que não foram efetivos no ataque botafoguense.

Bom, mas com Leo Moura e Ramiro com funções mais defensivas, quem criaria o jogo do Grêmio? Coube a qualidade e INTELIGÊNCIA de Arthur essa responsabilidade. Claro que não um armador como Luan, como Douglas, mas sim um jogador que sai de trás, criando as principais jogadas da equipe. Para isso, além do lado direito que já escrevi, o posicionamento do tão criticado Jailson (com razão, pois esse ano não parece nem de perto o jogador que surgiu no passado)  foi importante, sendo fixado mais a frente da defesa. Arthur se movimentou por todo campo, como normalmente faz, buscando passes e triangulações, com incríveis 95% de acertos em 70 passes. Mas além disso Arthur conseguiu avançar com a bola, e jogando mais pela esquerda, fazendo com que Bruno Silva, o principal jogador do Botafogo, ficasse mais na defesa, se preocupando com estas investidas. 

Acima os números de Arthur contra o Botafogo. 

Posicionamento médio do Grêmio. Leo Moura na direita, Ramiro centralizado. Jailson na frente da defesa, Arthur com maior liberdade de avançar pela esquerda.

Não só por essa atuação onde toda mídia o escolheu como o melhor em campo (eu também fiz uma pesquisa no Twitter, onde teve 91% dos votos), mas por todo ano, ele merecidamente foi convocado por Tite, que estava no estádio acompanhando o jogo. O Footstats refletiu muito bem essa temporada espetacular de Arthur, como mostrado na imagem abaixo. Mas quero que tenham atenção para um dado, o mapa de calor, que se refere ao jogo contra o Vasco. Comparem com o jogo do Botafogo, e analisem a movimentação mais pela esquerda e uma menor preocupação defensiva pelo lado direito.


Ao fim do jogo, vejo que o resultado não foi dos piores, jogando fora de casa e sem as principais peças. Tivemos  54% de posse de bola, com 92% de passes certos, além de 11 finalizações, sendo 5 certas. Claro que na partida de volta aguardamos principalmente o retorno de Luan, pois necessitamos da vitória. Sem ele o time terá que se reinventar novamente, mas somos o Grêmio, e o Grêmio é copero!

Tweet que bombou!

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domingo, 10 de setembro de 2017

As lições para o jogo contra o Botafogo - Análise Tática de Vasco 1x0 Grêmio

O que a grande maioria da torcida queria ocorreu, pois jogamos com o que tínhamos de melhor. Repetimos o time contra o Sport, porém com Barrios no lugar de Everton. Infelizmente o resultado não veio. Mais do que isso a atuação foi fraca, lembrando em muitos momentos o time treinado por Roger nos últimos meses da passagem dele, com um toque de bola sem objetividade. E aqui um ponto que gosto de repetir sempre nos meus comentários no Twitter ou por aqui: os números ajudam a compreender o jogo, porém não são o essencial. Para ter uma análise completa, antes de mais nada tu deves ver o que passa pelo jogo e com isso compreender o que os números nos trazem. O jogo contra o Vasco mostrou isso, pois o Grêmio teve 64% de posse de bola, efetividade de 88% dos passes e seis finalizaçãoes a mais que o time adversário. Porém estes números mostram  o quanto tivemos o controle total do jogo, sem efetividade alguma. Por exemplo, tivemos apenas uma finalização de dentro da área. 

Linhas de posse mostram controle do jogo do Grêmio, mas sem efetiviade.

Apenas um chute de dentro da área, mostra a fragilidade da ligação do meio com o ataque.

Mas por que não conseguirmos ser efetivos? Vejo três pontos principais:
1 - a falta de Luan que faz o time jogar e se movimentar, seja pela sua mobilidade entre a defesa do adversário (o jogo "entre as linhas"), seja por uma virada de jogo, ou um passe diferenciado entre a defesa (passe de ruptura se preferirem), ou pela qualidade de um drible que quebra a defesa adversária.

2 - a escalação de Fernandinho na esquerda, Leo Moura no meio e Barrios na frente. Todos sabemos que Fernandinho entra melhor no decorrer do jogo atuando pela direita, mas pelo que vimos dos dois últimos jogos ele deve ser o substituto de Pedro Rocha, até a recuperação total e ritmo de jogo de Arroyo, que nos poucos minutos em campo mostrou a capacidade de drible. Leo Moura no meio não tem a velocidade de Luan, seja pela idade, seja por característica pessoal, mesmo que tenha qualidade. Por fim e aqui a grande diferença do jogo contra o Sport, foi a entrada de Barrios. Contra o Sport Everton voltava para o meio, dava opções de jogo através da movimentação e também ajudava na construção de jogadas. Já com Barrios, a característica muda. Apesar do seu posicionamento médio estar no meio (com perdão da redundância), o movimento é totalmente diferente, pois Barrios faz a parede para que os demais jogadores passem em velocidade, o que não vimos no jogo. Outra mudança foi o número de cruzamentos que tivemos. Foram 32, recorde no campeonato e apenas 4 certos.

Posicionamento médio do Grêmio. Fernandinho mais a frente e demais jogadores agrupados pelo meio, mostrando falta de abertura e opções de jogo.

Recorde de cruzamentos, saindo da nossa característica.

3 - Por fim, a característica defensiva do Vasco, que atuava com 4 jogadores na defesa e 5 no meio campo. Com isso, o time esperava o Grêmio e saía no contra ataque. E aqui me refiro a principal característica do Botafogo, que é um time bem posicionado na defesa, saindo no contra ataque. Se preferirem, o Botafogo é um time reativo. Assim como o Vasco ontem, a tendência é de ficarmos com a bola no jogo da Libertadores e com isso Renato terá que reinventar o Grêmio. Claro que se Luan jogar essa configuração de maior mobilidade, velocidade e abertura de espaços nós teremos. Faltará definir quem será o substituto de Michel (recuo de Ramiro, com Arthur ficando mais defensivamente, Fernandinho indo para a direita e Arroyo na esquerda ou a simples entrada de Jaílson são as opções mais prováveis). 

O gol do Vasco saiu de uma bola recuperada no meio campo e saída rápida no contra ataque, pegando a defesa do Grêmio totalmente desarrumada. Isso poderemos enfrentar contra o Botafogo, com a pressão no meio campo, pois atuam com 5 jogadores que marcam e saem para o jogo (Bruno Silva, Rodrigo Lindoso, Matheus Fernandes, João Paulo e Pimpão, que faz função próxima do que fazia o Pedro Rocha). Aliás, Pimpão é o escape do time do Botafogo, que procurará Roger e Bruno Silva no meio da área para finalizar. Temos que ter muito cuidado para não cometer o mesmo erro do gol do Vasco, onde Cortez acompanhou o meio campo, não marcando o lado esquerdo, Michel ficou sem função e Fernandinho não teve tempo de recompor.

 Imagem 1, Cortez acompanha o meio campo.
Imagem 2, falha de marcação na esquerda.

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

As soluções sem Pedro Rocha, Luan e Barrios - Análise do jogo Grêmio 5 x 0 Sport

E o primeiro teste sem Pedro Rocha foi realizado. Não só sem ele, mas também sem Luan e Barrios que estavam nas suas respectivas seleções. E o que podemos observar foi que a estrutura do time foi mantida:
1 - Arthur e Ramiro mantem suas posições onde mais rendem
2 - Fernandinho fez a função de Pedro Rocha
3 - Leo Moura fez o meio, no lugar de Luan
4 - Everton substituiu Barrios, como vem feito
Quando eu digo fazer a função, me refiro ao posicionamento, pois sabemos que as características são muito diferentes, principalmente de Leo Moura (mais toque de bola, menos movimentação) e Everton (sendo o "falso" 9 com movimentação que busca o jogo, menos finalizador e que não faz a parede). 

Posicionamento médio contra o Sport.

Com o modelo mantido, as caraterísticas pessoais fizeram as principais alterações na movimentação em campo. Fernandinho jogando mais próximo de Everton. Este por sua vez recompondo mais e assim fazendo as triangulações necessárias pelo meio. Leo Moura mais recuado, buscando a bola entre os volantes e sendo opção de passe com boa parceria com Ramiro, fazendo com que Edilson tivesse maior liberdade de atacar, fazendo um ótimo jogo. Óbvio que pelo fato de ser lateral direito Leo Moura cai mais por este lado, seja ofensivamente, como também defensivamente, mas mesmo assim fez o time rodar pelos lados, fazendo a bola rolar mais do que ele se movimentar (característica diferente de Luan, que conduz mais). Para compensar esse jogo pelas laterais, Everton recompôs mais pelo meio, voltando para buscar as jogadas e fazer as triangulações.

       
Mapa de calor de Fernandinho, ao que tudo indica o substituto de Pedro Rocha, Everton voltando pelo meio e Leo Moura caindo para os lados, em especial pela direita.

Foram 91% de passes certos, dos 553 realizados. Sem Luan, outros jogadores assumiram essa condição de passador, com destaque para Arthur. Ele que fez as maiores combinações, seja com Michel ou com Ramiro (que teve um jogo muito melhor comparado aos últimos) na fase defensiva, quanto com Leo Moura e os laterais na construção de jogadas. Como escrevi, Leo Moura se aproximou dos volantes para fazer a bola rodar. Consequentemente, Edilson também participou mais do jogo, fortalecendo o nosso lado direito, que sempre foi o mais forte, mas que tinha caído de produção no último mês. 

Maiores interações de passes no meio com os laterais.

Números de passes ao longo do jogo

Com isso quero mostrar que algumas potencialidades cresceram, e mesmo sem o devido entrosamento, conseguimos manter o padrão de jogo. Também observado no jogo e que podemos confirmar através dos números foram as nossas maiores interações de passes; Essas ocorreram no final dos dois tempos, e o que isso significa? Que o período em que tivemos parados após a semifinal da Copa do Brasil serviu para retomarmos a parte física.
No fim dos dois tempos, maior número de passes.

Modelo de jogo mantido, características pessoais que se complementaram, preparação física em dia, mas futebol se resolve com chances de gols e consequentemente os próprios gols. Foram 13 chances de gol, sendo 9 em direção a gol, o que é um aproveitamento ótimo! Outro ponto importante, que essas chances criadas foram a partir de diversas posições de campo, seja dentro da área, na meia lua, na área central do campo e algumas pela esquerda, aqui vemos a característica e a entrada de Fernandinha no jogo. São opções importantes para os próximos jogos, em especial contr o Botafogo, que tem como característica de jogo reativo, ou seja, fica na defesa, esperando o contra ataque.

O resumo de uma ótima partida através das chances de gol.

Com tudo isso, nada poderia ser diferente do que um legítimo golaço, na melhor característica do Grêmio. Foram 50 segundos de posse de bola, com 19 passes, 32 toques na bola, a participação de 10 jogadores (somente Grohe não participou da jogada). Abaixo o tweet que fiz, com o vídeo completo de todo gol.

Acredito que Renato terá a solução para substituir o Pedro Rocha, e Fernandinho ganhou vários pontos nesse jogo. O mais importante, e isso que faz o Grêmio forte, é a manutenção do estilo de jogo, independente do adversário, local e time que se joga.

Se gostou me segue no Twitter @mwgremio, está até rolando o sorteio do livro "Estrela Solitária - Um brasileiro chamado Garrincha". Uma obra prima do jornalista e escritor Ruy Castro que mistura futebol com a vida de um legítimo brasileiro...

https://twitter.com/mwgremio/status/905817969900576768

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Obrigado Pedro Rocha, o que faremos sem ti?

Obrigado Pedro Rocha, obrigado, obrigado, mil vezes obrigado!
Obrigado pelos 126 jogos.
Obrigado pelos 32 gols (aqueles dois no Mineirão nunca esqueceremos).
Obrigado pelas 19 assistências.
Obrigado pelo título da Copa do Brasil.
Obrigado pela família que tens (seu Jessé anotará vários gols em seu caderninho).
Obrigado pela recomposição, pela marcação pela função tática que fazia.
Obrigado por ter que te "defender" e a partir disso estudar mais de tática e números e assim mostrar o quanto tu foi importante para nós!

 Foto que levarei para a vida. Como diz a camisa "Tudo Tranquilo"

Seu Jessé, a base familiar que sustenta Pedro Rocha, um exemplo de cidadão e de pai!

Mas e agora, sem Pedro Rocha, o que faremos? Temos algumas opções, na verdade várias, que vou comentar pontos positivos e negativos de cada opção:

ARROYO
Pouco vimos do equatoriano, mas segundo informações do Pedro Lampert (@PedroLampert) que é o maior conhecedor do futebol mexicano que conheço e do Matheus (@matheusM633) ele é o que mais se aproxima do Pedro Rocha.
Pontos positivos: pode recompor, como se movimentar pelo meio, chegando na frente com chute potente. 
Pontos negativos: não entra tanto na área e não vai para linha de fundo. 

Suposto posicionamento médio e atuação de Arroyo. 
Mais centralizado sem entrar na área.

BETO DA SILVA
Outro que poucos vimos, mas através da informação do Kaleb Schuck (@kaleb_schuck) ele pode fazer essa função. Cita o Kaleb o jogo das eliminatórias de Peru 2 x 2 Argentina, onde ele entrou muito bem, mas não tive a oportunidade de ver.
Pontos positivos: entrada na área e atuar em mais de uma posição do ataque.
Pontos negativos: falta de ritmo de jogo muito devido ao problema com lesões.

Suposto posicionamento médio e atuação de Arroyo. 
Recomposição central e opção de entrar na área.

EVERTON
O grande concorrente de Pedro Rocha quando os dois surgiram. 
Pontos positivos: velocidade, entrosamento, finalização de pequena e média distância (quem não lembra do importante gol contra o Palmeiras nas quarta de final da Copa do Brasil de 2017).
Pontos negativos: recomposição. Foi o fator de Pedro Rocha ganhar a posição. Falta imposição física na marcação.
Suposto posicionamento médio e atuação de Everton. 
Velocidade e verticalidade.


FERNANDINHO
O substituto natural neste ano.
Pontos positivos: Faz bem a recomposição, tem o entrosamento, é da função, pode centralizar as jogadas e ir até a linha de fundo.
Pontos negativos: a perna direita. Fernandinho demonstrou muito mais capacidade e efetividade quando entra pelo lado direito. Isso porque tem a opção de centralizar a jogada e chutar de perna esquerda. Quando vai para a esquerda, invariavelmente busca a linha de fundo (que até pode ser um ponto positivo quando Barrios jogar).

Suposto posicionamento médio e atuação de Fernandinho. 
Recomposição e profundidade.

MAICON
A maior alteração tática. Aqui cito a conversa que tive com o Cristiano Costa (@cristianomcosta). Obviamente que Maicon não entraria na posição do Pedro Rocha. O mais sensato seria a entrada de Maicon na posição de Arthur, como meia central, em linha com Michel, e Arthur em linha com Ramiro, fazendo a posição do Pedro Rocha.
Pontos positivos: experiência, qualidade no passe, time mais sólido defensivamente, com maior volume no meio campo. Luan teria mais espaço para movimentação jogando próximo de Barrios.
Pontos negativos: velocidade, abertura de jogo (amplitude), movimentação e abertura de espaços ofensivamente.
Suposto posicionamento médio e atuação de Arthur.
Maior controle de bola e volume no meio campo.

Há ainda outra opção que é a entrada de Douglas, mas vejo muito difícil seu retorno esse ano. Talvez em alguns jogos para segurar a bola e controlar o jogo. Outra opção seria Leo Moura entrando no meio, e Ramiro indo para esquerda, mas agora já é muita invenção minha...

Vamos ver o que Renato consegue fazer, até agora sempre conseguiu fazer essas mudanças, espero que continue acertando e nos leve ao TRI DA AMÉRICA!

E mais uma vez, obrigado Pedro Rocha!

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Jogo de xadrez - Análise Tática de Grêmio x Cruzeiro

Pode não ter sido um jogo plasticamente bonito, mas para quem gosta de tática e estratégia de jogo foi um prato cheio. E os dois técnicos não precisaram inventar nas escalações, pois foram aquelas já previstas. Ambos jogando no 4231. Jogaram muito espelhados, pois possuem dois volantes que sabem jogar (Michel e Arthur /Lucas Silva e Henrique), meias centrais de qualidade excepcional (Luan/Thiago Neves), extremas com características próximas, na esquerda um jovem velocista (Pedro Rocha/Alisson), na direita os motores dos times (Ramiro e Robinho). Grêmio e Cruzeiro fizeram um verdadeiro duelo tático, digno de xadrez.

Escalações sem surpresas e jogo espelhado. 

Vimos dois tempos distintos, com o Grêmio dominante no primeiro tempo, com duas chances de gol com defesas do Fabio, além do próprio gol, depois de uma bela jogada. Mesmo com um volante de origem na lateral direita do Cruzeiro, e Robinho fazendo a recomposição, as melhores jogadas saíram pelo nosso lado esquerdo. Muito porque Edilson e Ramiro ficaram em uma postura mais defensiva, devido ao rápido contra ataque com Diogo Barbosa e Alisson. Vi muitos falando que Ramiro e Edilson foram mal, eu vejo que foram muito bem em marcar a principal jogada ofensiva cruzeirense. Nosso lado esquerdo, de onde surgiu o belo gol, foi de onde saíram os passes que conseguiram desestabilizar a defesa, os chamados passes que quebram as linhas, ou os passes de ruptura. Curiosidade que tais passes foram de Luan, Pedro Rocha e Arthur, o que demonstra a grande mobilidade pelo setor.

Dois tempos distintintos, com o Grêmio (verde) controlando no primeiro tempo e Cruzeiro (azul) no segundo.

Passes de ruptura do Grêmio no1 e 2 tempo, informação do @instatfootball

Quando o Grêmio atacava, conseguíamos ver o bom trabalho defensivo do Cruzeiro. Vimos as linhas bem próximas e organizadas. Novamente a inteligência de Luan, em jogar entre estas linhas, fez a diferença. Outro ponto que observei e que deveremos ver muito no Mineirão é a organização do Grêmio para o contra ataque. Nisso é importante Barrios fazendo o pivô para que os demais jogadores apareçam em velocidade. Com Everton mudamos o estilo desse contra ataque. Pelas questões físicas e características de jogador, Everton já tem que receber essa bola em velocidade.


Cruzeiro bem organizado defensivamente.

Estruturação de contra ataque tricolor!

Já no segundo tempo o Grêmio deu campo para o Cruzeiro. Muito pelo resultado, considerado positivo. Foi a vez do Grêmio se organizar defensivamente. Neste ponto o Cruzeiro tentou avançar com três atacantes, e jogar entre linhas, por isso Arthur e principalmente Michel tiveram um papel importantíssimo. Ambos recuavam na frente da zaga, para realizar essa marcação e sair com qualidade da bola. Ambos trocaram mais de 60 passes, sendo Michel com 95% de acertos e Arthur com 90%.Mas temos que considerar a importância de todo o time marcando. Luan e Barrios fazem este importante papel de marcar a saída de bola. Hoje algum time que almeja algo maior tem que praticar o "futebol total" onde todos têm funções defensivas e ofensivas. Acredito que essa seja a característica do jogo no Mineirão, onde teremos que aproveitar os espaços.

Como o Grêmio marcou o Cruzeiro.

A pressão na saída de bola do Cruzeiro.

Por ser um jogo tático ele se define e se concentra no meio campo. Ali que existem as trocas de opções de jogadores, as marcações por zona ou encaixes individuais, o que vimos muito no jogo. Por isso mesmo não tivemos um grande destaque no jogo. Os principais jogadores dos times não conseguiram desenvolver seu habitual futebol. Thiago Neves foi muito bem marcado pelo sistema defensivo do Grêmio. Luan conseguiu jogar mais, mas também por viver essa fase extraordinária, e por sair em vários momentos para receber a bola e organizar o jogo, que com Barrios ele executa muito melhor, pois o paraguaio, que já tem 17 em 30 jogos, média de 0,57 gols por jogo, segura dois zagueiros, abre espaços e faz o muito bem o pivô como escrevi acima.

Mapa de calor do Grêmio. Fonte: Footstats

O duelo continuará na próxima semana no Mineirão. O trio Michel, Grohe e Barrios, considerados os melhores do jogo, terá que ser inteligente contra o Cruzeiro do bom lateral Diogo Barbosa, para que assim dê o xeque-mate e classifique o tricolor para mais uma final da Copa do Brasil e assim buscarmos o hexa!

Os melhores em campo segundo o SofaScore.

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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A alteração de Renato - Análise Tática de Grêmio x Godoy Cruz

Segundo clube brasileiro com maior passagens às quartas de final da Libertadores, apesar do susto com o gol inicial do Godoy Cruz, avançamos e agora aguardamos Botafogo ou Nacional do URU. E tomamos esse susto no início do jogo, onde o Godoy Cruz foi melhor e teve mais domínio, pois Renato escalou Maicon no lugar de Arthur, mantendo o restante da equipe considerada titular, somente com a substituição de Edilson por Leo Moura (que na minha modesta opinião é um acréscimo).

Sofremos no início do jogo e no início do 2º tempo. Mas de maneira geral controlamos o jogo.

Analisando a entrada do Maicon no lugar do Arthur, vejo que foi por dois motivos. Primeiro por ser jogo decisivo, Maicon ser o capitão e ser mais experiente. Segundo ponto, a menor capacidade de marcação de Leo Moura, onde Maicon teria a função tática de maior marcação. Isso ficou claramente no jogo. O Godoy Cruz atacou pela nossa direita, e consequentemente o Grêmio atacou mais por este lado. Maicon teve que fazer esse papel de contenção, com isso Michel ficou responsável pela saída de bola, pois normalmente tinha mais espaço. Mas um ponto que observei também, foi Michel por vezes saindo da sua posição, fazendo uma marcação mais alta, assim abria espaço entre a defesa e meio campo do Grêmio, onde o Godoy Cruz conseguiu atuar. Se notarem, o gol sofrido pelo Grêmio foi nessa faixa de campo, pois o atacante teve tempo de esperar a bola picar e chutar com espaço (sim, foi falha do Grohe).





Jogo ocorreu pela direita. Fortíssima atuação de Leo Moura, e Maicon mais posicionado. Mapa de calor de Michel abaixo mostra mais centralizado e com              mais espaço para saída de bola.                                        



Falando ainda de como o jogo se desenvolveu pela direita, a própria movimentação de Ramiro e Pedro Rocha, que se espelham dentro do campo, obviamente com diferentes características, refletem isso. Pedro Rocha muito mais avançado pela ponta esquerda e Ramiro ajudando o lado direito na recomposição. Acredito que além de Michel, que estava um pouco nervoso, até pelo fato de estar um pouco deslocado, Ramiro sentiu essa saída de Arhur, pois junto com Luan são os que mais trocam a bola entre si. A dinâmica com Maicon é diferente, pois ele segura a bola, pensa, roda, e dá passes de ruptura (aqueles passes que atravessam a defesa). Ao contrário de Arthur que roda muito mais, aparece para jogar, distribui em espaços curtos. Em resumo, o time sentiu essa troca e eu não fui muito favorável, pois perdemos dinâmica de jogo.




Pedro Rocha e Ramiro com funções diferentes no campo. Enquanto um atacava o outro mais defendia. Reflexo no mapa de calor de todo jogo conforme abaixo, onde jogo foi pela direita. 


Se na meia defensiva tivemos essas alterações, no ataque fomos muito bem. Barrios voltou fazendo o que tem que fazer. Incomodando o zagueiro, brigando por toda bola, fazendo o pivô e chutando em gol. No primeiro gol acreditou até o final e deu um passe inteligentíssimo para Pedro Rocha marcar. No rebote do goleiro ele não domina a bola, e sim passa por cima dela, e gira para tocar para o meio. Lance de quem conhece a grande, e no caso a pequena área. No segundo gol foi inteligente em não estar em impedimento (vale ressaltar a jogada do craque Luan, que tinha possibilidade mais fácil para tocar para Pedro Rocha, mas que entrava impedido pela esquerda) e deu um belo chute que tocou na trave e no rebote Pedro Rocha (mais uma vez bem posicionado), fez o gol que nos garantiu a vitoria. Os números de Luan e Pedro Rocha na Libertadores mostram essa qualidade, sendo considerados pelo Footstats os dois melhores nas estatísticas da competição.

Os números de Pedro Rocha e Luan que os credenciam como os melhores da Libertadores.

O importante é que conseguimos a classificação para as quartas de final da Libertadores, e se comparados a Atlético MG e Palmeiras, que tem investimentos muito maiores, essa classificação deve ser muito comemorada. Afinal o que ganha um jogo pode ser um jogador, mas o que ganha título é um time bem equilibrado e com uma dinâmica de jogo bem definida. Por isso que jogadores que foram criticados e até ridicularizados no início do ano, como Cortez e Leo Moura, estão jogando muito bem.

Tweet que bombou!

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E antes que eu me esqueça, obrigado Pedro Rocha!

Encontro com Pedro Rocha em ação beneficente de sua família, realizado nesta última segunda-feira.